A voz do adepto leonino - "O que é nacional (não) é bom!"

“Antes de mais, deixa-me esclarecer que não escrevo isto por sentir-me, de todo, incomodado com a situação.
Eu que pertenço, por excelência, a raça escravizada anos a fio.
E apesar de no B.I constar a nacionalidade portuguesa, a cor da pele não me deixa mentir.
Vim daquele continente onde passam fome para não verem passar o tempo: África.
Enfim. Deixemo-nos de devaneios e passemos à acção.
Com as saídas de Hélder Postiga e do’ namorado da Lucy’ ou o ‘Obikwuelu do futebol’ – é como quiserem - Sporting viu minguar o seu contingente de jogadores nacionais. Convenhamos, em termos qualitativos não deixam saudades.
Mas não deixa de ser triste, uma vez que Sporting sempre fez questão, enquanto tinha argumentos, de se gabar por ser, pelo menos, dos três grandes o clube que mais apostava no jogador luso.
Esta tendência foi claramente posta de lado.
Pelos visto, o que é nacional já não é bom.
O Sporting abandonou agora esta política, enquanto os outros clubes, nomeadamente os grandes, apenas estes interessam, abandonaram faz tempo.
Vemos Benfica entrar em campo com um onze, onde o único jogador português é o 12º, os adeptos.
Mas enquanto, não for obrigado a fazê-lo, o clube do ‘compatriota’ Eusébio não tem a obrigação de apostar em jovens portugueses.
Ao que consta sai mais barato apostar nos estrangeiros.
Mas, não se trata de uma questão de apostar.
Trata-se, isso sim, de uma questão de ética.
Para não falar do compromisso que os clubes deviam ter para com a selecção nacional. E não me refiro a relação de interesses que hoje existe e está a vista de todos mas sim, uma relação onde saíssem todos a ganhar.
Muito se falou, escreveu, comentou, escarafunchou, a quando do mundial de sub-20 mas na prática mantêm-se tudo igual.
E é na prática que se faz a diferença.
O Sporting – pouco me importa os outros – como um clube histórico no que toca a formação, tem, nem que seja só por isso, a obrigação moral de apostar em jogadores nacionais.
Ou será que a Academia que outrora formou, o hoje, ‘Giro, rico e grande jogador’ – como o próprio Cristiano Ronaldo se auto-caracteriza, já não tem vitalidade para formar grandes jogadores, sem ser aqueles depois são apelidados de maçãs podres?
Maçãs podres são os treinadores, dirigentes e empresários que, como bons business man que são, vão onde há comissão.
Parece que, claramente, o que é nacional (não) é bom.
A pergunta que se coloca é: será que alguma vez foi?
Carlos Pereira”
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9 comentários:

Rui Paiva disse...

Grande post , concordo com quase tudo !

Entrevista exclusiva com Maykon , jogador que representa no Leiria ,e já passou por Paços de Ferreira e Belenenses. O Brasileiro conta tudo : A mudança para o Leria , balaço que faz das 2 epocas no Paços , objectivos para este epoca entre outras exclusivas perguntas !
A não perder em
http://contra-ataque1.blogspot.com/
Abraço

Anônimo disse...

bem podes agradecer aos leitores que enviam textos, é a unica forma de se ver (em alguns casos) uma opinião fundamentada e realista ao contrário de ti.

Por outro lado o blog fica claramente a perder na componente humoristica na qual verdade seja dita ÉS REI!

José Sarmento disse...

Excelente texto Sr. Carlos Pereira, parabéns.
Partilho da sua preocupação e opinião. Acontece que o Sporting (só) com a prata da casa não chegava lá e agora estão a tentar imitar os outros dois rivais... Até porque quando o Sporting atira para a arena meninos como Futre, Simão, Dani, Nani, Quaresma, Porfírio, Moutinho, Hugo Viana, Carlos Martins, Miguel Veloso, Figo, Cristiano Ronaldo, Varela e muitos muitos outros, das duas uma. Ou os tubarões os vens buscar pelo preço da uva mijona, ou o Sporting arranja maneira de os "despachar", e assim se vai a formação. Até ver, se não fossemos nós, a Selecção andava a lutar por nada! Veremos o que o futuro nos reserva.

Saudações Leoninas

Anônimo disse...

O problema talvez esteja no rumo que o próprio Futebol tomou, tirando raras excepções, os grandes clubes europeus sofrem deste mal.

Quanto ao Sporting, acho que é uma boa "fornada" de estrangeiros que veio para revitalizar uma equipa que estava a estagnar com jogadores que vinham para acabar a carreira (a custo zero), outros que queriam sair e outros nunca deviam ter entrado.

Portugueses temos o Patrício, o João Pereira e o André Santos -todos na selecção A-, o Carriço, o Pereirinha e o André Martins, mais uma data de jogadores novinhos (emprestados e juniores) desejosos de vestir a camisola. Podem entrar já em Janeiro ou na próxima época, cada coisa a seu tempo.

E nisto parece-me até, que estamos (finalmente) bem organizados.

Bem Haja Leonino

Anônimo disse...

queres ser campeão ou queres jogar só com putos da formação? eu prefiro ser campeão!

shotgun disse...

Na academia o problema está longe de ser a qualidade dos putos, acho que percebem onde quero chegar...

TauntingGeneral disse...

Senhor Carlos Pereira, você foi a Belenenses ver o jogo dos júniores? Temos grandes jogadores para vir para a próxima temporada, uns emprestados que devem voltar em Janeiro, etc... Vem aí a próxima vaga de grandes jogadores portugueses, made in Sporting.

Nos últimos anos os bons jogadores têm sido poucos, mas agora vêm mais. Espere, não desespere.

Saudações Leoninas

Tite disse...

Concordo com Carlos Pereira sobre o que se vem desvalorizando da produção nacional. Porém, a culpa é mesmo do business e em especial dos Marchants dos jogadores. São eles quem mais ganha com as transacções comerciais e, como dão avultadas luvas aos Dirigentes, estes, indevidamente, também fomentam as entradas e saídas da rapaziada.
Que pena, digo eu!

Anônimo disse...

Obrigado a todos pelos elogios ao artigo . E sim , eu fui ver o jogo dos juniores ao Belenenses , e bem sei , tal como vocês que o problema da academia não é a qualidade dos miúdos mas alguém que saiba o que fazer com ele. Se repararem muitos mais são os putos que acabam por abandonar a Academia sem singrar , para apesar de qualidade para isso , do que o contrário.

Carlos Pereira